construir as cidades futuras

Com bate num texto em resposta a um post de Fernanda Gouveia a 23 de Dezembro de 2009 Nada sei de construção ou desconstrução de cidades. Sei que também eu, novinho, sonhava com florestas. Eram florestas longínquas onde se digladiavam os ‘bons’ e os ‘maus’. Como nas pradarias da minha meninice os cow-boys batiam aos tiros as flechas dos índios. Quando a subida dos degraus da vida me deu para perguntar porquê, dei comigo a sentir que tomava partido ao contrário do que me diziam os filmes, os telejornais e quase todos os amigos. O meu pai, homem da arte de … Continuar a ler construir as cidades futuras

Está mesmo um frio de rachar…

Está mesmo um frio de rachar. As mãos, contudo, gritam sussurros nas cordas da guitarra e a música… Ah, a música flui como um rio de lava na tarde fria. Gosto de improvisar… sei lá… deixar-me ir na corrente e saltar e deslizar e estancar, como cavalo indómito no braço da velha guitarra. Mas o que gosto mais é das pessoas, de como elas reagem – ou não – à musica que lhes toco. Já sei que ser musico de rua é um merda… Isto é, nem sempre é bom, mas dá para a bucha e para as bjecas, para … Continuar a ler Está mesmo um frio de rachar…

Ah sim… Eu sou Charlie…

e sou Ahmed, muçulmano, policia e parisiense e sou Alexander Mora Venancio, estudante do Magistério Primário, raptado pela Policia em Iguala, Estado Guerrero do México, entregue aos nacro-traficantes e executado, com mais 32 colegas em Cocula e sou os milhares de assassinados, feridos, raptados, torturados na Palestina e Israel, pelas «Forças de Defesa de Israel”. e sou Simone Camilli, Hamada Khaled Makat, Mohammed Nour Eddine Al-Dairi, Abdallah Nasr Fahjan,Rami Riyan, Sameh Al-Aryan e Khalid Hamad – jornalistas mortos na Palestina pelas Forças «de Defesa» Israelitas e sou os quase 5000 migrantes que morreram no Mediterrâneo em busca desesperada de uma vida melhor e sou os 91 trabalhadores mortos em criminosos acidentes de trabalho em Portugal só no … Continuar a ler Ah sim… Eu sou Charlie…

…desmaiar suave das cores da Cidade

A minha vista espraia-se pela Alameda, o sol decaíndo para os lados do Técnico, num desmaiar suave das cores da cidade. Ladra, algures, um cão. Estou sentado numa das mesas que se tornaram a sala de estar de reformados e desvalidos que pastam a solidão pelas ruas. Noutra mesa, atrás de mim, 3 pessoas conversam. À minha frente, sentado num murete, um dos muitos imigrantes olha em seu redor, sem outro fim que simplesmente olhar. “Ió, bóra ver aqui…” exclama um a voz jovem atrás de mim. “Xêee, que ganda parque…”. A sua voz distancia-se, ficando eu sem saber quem ele … Continuar a ler …desmaiar suave das cores da Cidade

Conversas trocadas

“Isto está impossivel…” “O nove está na linha errada…” “Não há nada a fazer…” “Olha bem para a coisa a resposta está aí…” “Impossível!” “Impossível…? Nunca!” “Estás bom é para alguns…” “Ah..Ah… o nove é aqui…” “Sempre os mesmos já cansa…” “De 1 a 9 nas linhas e colunas …” “Eles lá sabem com que linhas se cozem…” “E nós contentamos-nos com migalhas … “Impossível é viver assim..” “E que queres… são todos iguais…” “São iguais a quê…?” “Andas distraído…?” “Não. O barco atracou” “Adeus” Continuar a ler Conversas trocadas