Leio a vida depois dela me escrever

Por Ana Ribeiro técnica de comunicação numa autarquia e escritora nas horas de lazer. Ser mãe é uma pele. Persiste no sonho de dar ao mundo palavras que façam viajar para além do imediato.     Há quem circule pela previsão das letras quem sobreviva por saber de letras como é a realidade. A mim a realidade leva, empurra, atropela, esmaga e eleva antes de qualquer letra me explicar o porquê. Os textos não me amam porque sou eu que neles cavalgo depois da vida me cavalgar. Não há aviso meteorológico: irrompe o universo sobre como aguaceiro açoitante, um vendaval … Continuar a ler Leio a vida depois dela me escrever

70 Anos

  Por Manuel Monteiro, poeta, escritor, alfarrabista Foi camponês, operário, deputado (do lado certo da vida), vendedor de detergentes, dono de tasquinha na Bica. Amigo dos amigos (tenho orgulho na sua amizade). Fraternal. Radical. Recusa-se a desistir de lutar. 70 ANOS Como água que corre no rio indomável da vida Como pedra que rola pela encosta e deixou marcas Como pássaro que levanta vôo e vê mais longe Como fogo que incendeia e se extingue em brasa Como espada em fúria na carne cravada Como tudo e como nada Como o coração que se dá sem limites Como menino que … Continuar a ler 70 Anos

Caminhar

    de Fernando Chainço Caminhar. Por entre as mãos. Apesar das mãos. Dos seus gestos brutos e feios antes de serem lidos pelos lábios. Antes da vida nova que têm no escuro adocicado dos quartos, à hora do acordar, antes que se faça a luz toda e eles se vão. Antes das pontes e dos rios todos lá embaixo, antes do mundo e do seu sal cheio de feridas. Antes de não ter nada para dizer depois do nada dizer. Depois do tudo que ainda não se disse ou não se sabe como dizer ou de poder dizer esse … Continuar a ler Caminhar