Pudessem ser aves

Pudessem ser aves, quaisquer aves, que abrem as asas e voam, livres. São contudo crianças com a sina de viverem sob o signo da opressão. Não brincam, ou quando brincam, no seu maniqueísmo infantil, estão do lado dos paus e das pedras. Do outro, balas, blindados, a violência cega do ódio. Não lhes falem de paz, aos meninos oprimidos, pois são crianças e estão presas. Falem-lhes antes de Justiça, pois sem Justiça não há Paz.   Continuar a ler Pudessem ser aves

Sem nada a perder

Digam que faço apologia radical, que às pedras do desespero as rajadas de metralhadora são legítimas Digam que está em causa a segurança da terra roubada e, face à sagrada pretensão pela Cidade, se justifica a carnificina ignóbil Digam que são fanáticos os desvalidos, são terroristas as pernas ceifadas, são loucos os que caminham sob ferro e fogo. Digam tudo isso, mas nada, nada os salvará Continuar a ler Sem nada a perder

Do outro lado do muro

Deste lado do Muro, sob o troar do canhões, sob a chuva da metralha, soterraram meninos que não serão homens; esperanças frágeis de um devir melhor. Agora por conveniência estratégica, retiram as botas cardadas, deixando um rasto de ignomínia. Do outro lado da fronteira, do outro lado do Muro, ecoam as lamentações ancestrais dos sobreviventes. Talvez que a Primavera regresse, os pomares reverdejam outros meninos soriam e possam, tranquilamente, usar as pedras dos muros, os destroços da guerra para construir escolas, fábricas, casas, jardins e reaprendam a dar as mãos, confiantemente, aos meninos do outro lado do Muro. Continuar a ler Do outro lado do muro