Tanta terra…

Ana

 

 

 

 

Por Ana Ribeiro
técnica de comunicação
numa autarquia
e escritora nas horas de lazer.
Ser mãe é uma pele.
Persiste no sonho
de dar ao mundo
palavras que façam
viajar para além do imediato.

 

 

Tanta terra que fui
Tanta que ainda me falta contar
Fico tonta com os grãos
Que passam anónimos e amontoados
Sem voz que não seja
A secura dos meus passos.

E são grandes os pés
A enfrentar a terra dura
Às vezes lamacenta
Poeirenta e ceguenta
Sarnenta e macilenta…
São tão grandes os meus pés
Que vão até quando ainda estão.

 Tão habituados de seguir viagem
Que me interrogo numa pausa
(será pausa esta a desta terra agora?)
Se saberei ficar
Em vez de ir e ir e ir…
Saberei ser contente…ficando?

 Tanta terra que ainda tenho no olhar
Põe a dúvida no horizonte…
Se for para parar
Há-de ser noutra serra
Um outro rio ao lado
Um oceano a sussurrar ternura.

Esta terra tão grande leva-me
Para a terra mais pequena
Que abrigo no coração
Não sei lá irei nos passos
Ou no som da ilusão
Mas vou…num qualquer segundo!

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