Dias que passam

publicado originalmente no FB a 12 de Outubro de 2009
Como rios subterrâneos,
tumultuosos
para se esvaírem
em lençóis plácidos,
os dias passam por mim.
Eu, em troca,
passo por eles
num desenho manuscrito
do que farei com os minutos,
tentado aceder
ao sono pacificador,
não tanto que traga paz,
mas esquecimento.

Alguém disse que
há maldição no saber.

Procuro desaber, portanto.

Tarefa hercúlea,
como desnascer
ou morrer para a vida.

Por vezes,
sinto dores de cores por reconhecer,
vejo auras de sons e cheiros
que passam
o quotidiano
dos passos e silêncios.

Tenho portos de abrigo, isso tenho.

Mas a ânsia de partir
percorre as veias do que sinto.
Sina ou fado,
filho do ferro,
neto do mar,
forasteiro na minha terra
e em busca de um país inventado.

Colecciono
lágrimas
e risos
e gestos
e partidas.

Às vezes
pergunto-me:
são os pássaros livres
na imensidão do céu?

Descreio
e volto a aprender
os passos,
as quedas,
e textura de uma folha,
um aroma da cidade.

Nada de novo debaixo das estrelas.
Os dias passam. 

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