Leio a vida depois dela me escrever

Ana
Por Ana Ribeiro
técnica de comunicação numa autarquia
e escritora nas horas de lazer.
Ser mãe é uma pele.
Persiste no sonho
de dar ao mundo
palavras que
façam viajar
para além do imediato.

 

 

Há quem circule pela previsão das letras
quem sobreviva por saber de letras como é a realidade.
A mim
a realidade leva, empurra, atropela, esmaga e eleva
antes de qualquer letra me explicar o porquê.
Os textos não me amam
porque sou eu que neles cavalgo
depois da vida me cavalgar.
Não há aviso meteorológico:
irrompe o universo sobre
como aguaceiro açoitante, um vendaval ou tufão.
Não há um instante para respirar fundo,
a voz a pedir para parar não tem tempo
ou sequer para pensar onde estou e em quem sou.
Sou marioneta aparente
senhora só do momento em que reajo e falo
com a ilustração assimilada
porque o saber lido não praticado jaz
em algum buraco do passado esquecido
ou em gaveta
de esforço para aflorar a boca.
Eu não sou estação de futuros
somente paragens sobre o passado que acabou de passar.
Sou tão par em signo
que a avalanche de letras me vê como igual
escrevendo-me…e quando leio
já fui escrita.
Sustenho o pasmo e a respiração
por compreender em cada dia
que ao perceber é porque já fui, passou, correu.

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